Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários reuniu mais de cem representantes e defendeu ações conjuntas diante das guerras, desigualdades e pressões dos EUA
Após dois dias de debates, o 24º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários (EIPCO) encerrou-se no sábado (8), em Havana, fórum que reuniu mais de cem representantes de 48 partidos políticos de todos os continentes, informa o jornal Granma, órgão central do Partido Comunista de Cuba.
Liderado pelo Primeiro Secretário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba e Presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, o encontro serviu como espaço para debate ideológico e coordenação política, no momento exato em que se comemora o centenário do Comandante-em-Chefe Fidel Castro Ruz.
O Movimento Comunista não recua
Em seu discurso, Díaz-Canel agradeceu às delegações pela coragem e determinação em chegar até ali, em meio a tanta pressão, chantagem e mentiras, e lembrou-lhes que Cuba, a Ilha da dignidade e da resistência histórica, os acolhe de braços abertos.
O líder cubano alertou que o mundo está atravessando “um de seus momentos mais incertos e perigosos”, com uma “tempestade perfeita” desencadeada pelo capitalismo devorado por suas próprias contradições: concentração excessiva de riqueza, desigualdades, destruição ambiental e guerras por mercados, recursos e áreas de influência.
“A análise marxista-leninista permanece plenamente válida ao afirmar que essas crises não são acidentais, mas sim o resultado das leis de desenvolvimento do capitalismo monopolista e imperialista”, afirmou ele.
Nesse sentido, Díaz-Canel deu especial ênfase ao ressurgimento do fascismo, “que nos envia um forte sinal de alerta”. Ele denunciou a instalação de regimes fascistas em todo o mundo, caracterizados por nacionalismo, supremacia racial, xenofobia, deslocamento populacional e proscrição de ideologias.
“O genocídio em Gaza e sua vergonhosa transmissão pública não são suficientes para eles; agora estão tentando estabelecer sua própria legitimidade em Cuba por meio de uma política agressiva e criminosa”, declarou ele.
Além disso, o presidente cubano apresentou números alarmantes sobre as consequências do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos, particularmente nos setores de energia e saúde.
Da mesma forma, ele respondeu às recentes declarações do Secretário de Estado dos EUA, chamando-as de admissão vergonhosa de que existe uma situação difícil em Cuba como resultado de uma guerra econômica sem precedentes.
Declaração dos Partidos Comunistas: unidade e condenação ao imperialismo
Em nome das forças políticas presentes, José Luis Centella, presidente do Partido Comunista da Espanha, ressaltou a complexidade do atual contexto internacional e a ameaça representada pelas políticas agressivas e intervencionistas dos Estados Unidos e de outras potências imperialistas.
“Defendendo e honrando o legado da Revolução Cubana no centenário do nascimento de Fidel, e consolidando a solidariedade com a Cuba socialista, fortalecemos as ações conjuntas e unimos forças pela paz e contra a agressão imperialista”, disse ele.
Ele enfatizou a importância da unidade, da solidariedade e da cooperação entre os partidos comunistas e operários como forma fundamental de alcançar uma resposta contundente ao aumento da desigualdade, da exploração e à intensificação das rivalidades dentro do sistema imperialista.
Centella enfatizou a importância de promover debates e deliberações que contribuam para a articulação e eficácia desta plataforma histórica, que está prestes a celebrar o 30º aniversário de sua fundação.
A declaração reafirmou a relevância duradoura do pensamento do Comandante-em-Chefe Fidel Castro Ruz: “Suas ideias profundamente humanistas, internacionalistas e baseadas na solidariedade são essenciais para enfrentar os desafios progressistas do atual cenário internacional.”
Solidariedade com a Palestina e o Líbano
O encontro também contou com fortes condenações à agressão sionista na Palestina.
Falando em nome do Partido Comunista da Palestina, Ihab Masfi enfatizou a solidariedade ao povo cubano, exigindo ao mesmo tempo a remoção de Cuba da lista unilateral de organizações terroristas e o levantamento imediato do bloqueio genocida.
Ele enfatizou que a ofensiva imperialista assumiu sua face mais fascista na região por meio da aliança entre o sionismo fascista e os extremistas religiosos.
A guerra contra a Faixa de Gaza é um dos crimes mais horrendos de genocídio, limpeza étnica e fome sistêmica da era moderna, denunciou ele.
Vietnã: apoio inabalável a Cuba
Vu Thai Tha, membro do Partido Comunista do Vietnã, reafirmou sua profunda compreensão e inabalável solidariedade com as dificuldades que Cuba enfrenta devido ao bloqueio e ao embargo energético.
Ele afirmou que o Vietnã está sempre ao lado do povo cubano. Consideramos o apoio a Cuba uma questão de consciência e responsabilidade, além de uma continuação natural do legado de Ho Chi Minh e do internacionalismo proletário.
Também estiveram presentes na reunião os membros do Birô Político do Partido Vomunista de Cuba Roberto Morales Ojeda, Secretário de Organização do Comitê Central; Bruno Rodríguez Parrilla, Ministro das Relações Exteriores; e Yudí Mercedes Rodríguez Hernández, membro do Secretariado do CC e Chefe do Departamento de Atendimento aos Serviços, entre outros membros do Partido e de organizações de massa.
O 24º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários encerrou-se com o firme propósito de fortalecer a unidade das forças progressistas do mundo, consolidar a solidariedade com Cuba e redobrar os esforços na luta comum contra o imperialismo, o colonialismo e o fascismo.