GEOPOLÍTICA E RELAÇÕES INTERNACIONAIS

O imperialismo estadunidense anuncia a barbárie 

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O discurso de Trump, coerente com a prática do imperialismo estadunidense, ameaça a  humanidade, escreve o dirigente comunista José Reinaldo Carvalho 

Por José Reinaldo Carvalho (*) – Falando “urbi et orbi” na quarta-feira (1º/4), e valendo-se da onipresença dos modernos meios de comunicação, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou sobre o mundo uma ameaça que remete aos períodos mais sombrios da história. Ao ameaçar o Irã de que bombardearia o país até fazê-lo regressar à “Idade da Pedra”, Trump manifestou a intenção de cometer mais um crime hediondo. O coro da barbárie foi imediatamente completado por seu Secretário da Guerra, Pete Hegseth, que postou na rede digital X a frase “De volta à Idade da Pedra”, como quem confirma a existência de um plano de execução já em curso.

Esta declaração precisa ser condenada veementemente por toda a consciência humanista. O chefe do imperialismo estadunidense fez uma ameaça explícita de destruir totalmente uma nação, sua infraestrutura, sua memória e seu povo. Pronunciada perante a comunidade internacional, é um recado sinistro a todos os países: os Estados Unidos, embora mergulhados em uma crise estrutural de hegemonia, sentem a vertigem de serem uma superpotência militar e nuclear que não hesitará em ir às últimas consequências, incluindo o arrasamento do planeta, caso seus interesses sejam fundamentais contrariados.

Para quem conhece a história do imperialismo estadunidense, tal postura não causa surpresa, mas repugnância e revolta.  Traz à memória a ameaça proferida por George W. Bush, quando declarou a “guerra ao terror”, em 2001, apontando 60 países como alvos da sua ofensiva. 

Ao longo de décadas, este imperialismo ameaçou e levou a efeito a destruição sistemática de países soberanos, cometendo crimes de guerra e de lesa-humanidade sob o manto da “liberdade”. A origem da expressão “bombardear de volta à Idade da Pedra” é, por si só, um atestado de banditismo. Ela está indissociavelmente ligada ao general da Força Aérea dos EUA Curtis LeMay, que em 1965 sugeriu este destino ao Vietnã do Norte. Convém lembrar que LeMay foi o arquiteto do bombardeio indiscriminado de cidades japonesas na Segunda Guerra Mundial, onde a fúria e o fogo mataram centenas de milhares de pessoas, a maioria civis.

Essa tradição de aniquilamento prosseguiu na Coreia, durante a guerra de 1950 e 1953, onde os bombardeios americanos destruíram 95% da capacidade elétrica e mais de 80% dos edifícios civis do Norte. Repetiu-se em 1991, na Operação Tempestade no Deserto, quando o então Secretário de Estado James Baker ameaçou Tariq Aziz com o mesmo regresso à pré-história. Embora analistas tentem dourar a pílula falando em “munições de precisão”, a realidade no Iraque foi a de chuvas de “bombas burras” que pulverizaram a infraestrutura urbana e a vida cotidiana de milhões. Até mesmo o Paquistão de Pervez Musharraf ouviu de Richard Armitage, que o país seria “bombardeado até a Idade da Pedra” se não servisse de instrumento na guerra contra o Talibã.

Hoje, a ofensiva de Trump e Benjamin Netanyahu contra o Irã já é uma realidade sangrenta. Mais de 2.000 iranianos foram mortos em ataques recentes. Milhares de alvos civis, incluindo hospitais, escolas, universidades e até fábricas farmacêuticas, foram atingidos pela tecnologia bélica dos EUA e de Israel. 

A declaração desta semana é particularmente revoltante por revelar que o alvo não é um regime político, nem uma indústria armamentista ou um programa nuclear, mas a própria sociedade iraniana. O Irã, antiga Pérsia, é o berço de uma das civilizações mais antigas da humanidade. Mais de um milênio antes de os Estados Unidos existirem como projeto imperialista, o povo persa já oferecia ao mundo avanços monumentais na ciência, medicina, filosofia, cultura e arte. Tentar apagar essa civilização da face da terra é um atentado contra o patrimônio da espécie humana.

Esse método de “destruição total” caminha de mãos dadas com a tática de banditismo, em cumplicidade com o estado sionista de Israel, que envolve o assassinato e sequestro de lideranças políticas e religiosas. Vemos isso na atual guerra contra o Eixo da Resistência, com os assassinatos covardes de líderes políticos e religiosos. Vimos o mesmo no sequestro (este de responsabilidade exclusiva dos EUA) do presidente Nicolás Maduro e sua esposa, também uma importante liderança política. ]

Estamos diante da substituição do Direito Internacional pela Lei da Selva, onde o “xerife do mundo” decide quem vive e quem morre.

É urgente, portanto, que as forças progressistas e verdadeiramente amantes da paz defendam o Irã contra o aniquilamento; condenem os Estados Unidos e o estado sionista como criminosos de guerra, violadores sistemáticos da lei internacional e regimes essencialmente anti-humanistas. Os episódios nefastos de Hiroshima e Nagasaki, os únicos de uso de bombas atômicas contra populações civis, continua a pairar sobre toda a humanidade, sempre que um presidente dos Estados Unidos fala em atirar um país de volta à “Idade da Pedra. 

Por isso, é válido e legítimo criticar duramente as forças políticas oportunistas que, sob o falso pretexto de que a prioridade global é apenas o embate entre “democracia e antifascismo”, acabam por dar cobertura ideológica ao imperialismo que massacra o Oriente Médio. Onde está a democracia no bombardeio de hospitais? Onde está o antifascismo no apoio ao Estado sionista de Israel, que já exterminou mais de 120 mil palestinos, um crime cometido com o aval tanto da administração democrática de Biden quanto do atual governo de Trump?

Defender a soberania do Irã, apoiar esforços genuínos de paz e intensificar a luta anti-imperialista em nível mundial são medidas de autodefesa da humanidade contra a barbárie. O mundo não pode aceitar o regresso à pré-história imposto por quem detém a tecnologia do futuro, mas mantém a mentalidade dos tiranos mais sanguinários do passado de sempre.

(*) Jornalista, editor internacional, membro do Comitê Central e da Comissão Política Nacional do PCdoB e presidente do Cebrapaz (Centro Brasileiro de Silidariedade aos Povos e Luta pela Paz)

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