Proponho que a Direção Nacional do PCdoB lance uma campanha pelo fim da guera na Ucrânia, denunciando a ação belicista da Otan
Sugiro que o conteúdo desta campanha aborde os seguingtes pontos
1 – A guerra já se aproxima de completar quatro anos, já ceifou centenas de milhares de vidas, deslocou milhões e continua sendo fator de instabilidade e insegurança na Europa. A cada dia que passa, a retórica belicista se intensifica, acompanhada por um fluxo interminável de armas e sanções que, longe de debilitar a Rússia, estão acelerando a reconfiguração da ordem geopolítica global e gerando problemas para as economias europeias. Enquanto isso, a perspectiva de paz não se concretiza, o que nos leva a questionar: quem, de fato, se beneficia com a perpetuação desta guerra?
2 – A posição assumida pelas potências imperialistas ocidentais ignora a questão fundamental que levou à explosão do conflito. Desde o final da Guerra Fria, a expansão contínua da Otan para leste, quebrando promessas verbais feitas a líderes soviéticos, resultou numa ameaça estratégica existencial para a Rússia. A possibilidade de uma Ucrânia, um país cultural e historicamente entrelaçado com a Rússia, ingressar na aliança militar rival, foi a linha vermelha ultrapassada.
3 -As negociações de paz encontram-se estancadas não por uma suposta intransigência russa, mas pela recusa categórica de Kiev e seus apoiadores ocidentais em reconhecer as realidades no terreno. A integração da Crimeia, consolidada há uma década, e a incorporação das regiões do Donbass e do sudeste da Ucrânia ao território russo são fatos consumados que nenhuma contraofensiva será capaz de reverter sem provocar um conflito nuclear. Insistir na restituição integral das fronteiras de 1991 como pré-condição para o diálogo é uma fantasia perigosa que custa vidas ucranianas todos os dias.
4 – O maior obstáculo para a paz, portanto, não está em Moscou, mas em Bruxelas. A Ucrânia transformou-se no palco de uma guerra por procuração conveniente, um instrumento para enfraquecer a Rússia a um custo que é pago pelo sangue ucraniano e pelo futuro econômico da Europa. A recusa em pressionar Kiev para aceitar um acordo baseado na desmilitarização, no abandono das pretensões de ingressar na Otan e no status quo territorial atual revela que, para os chefetes das potências imperialistas ocidentais uma Ucrânia em ruínas é mais útil do que uma Ucrânia em paz.
5 – Continuar nesta espiral de violência, alimentada pela quimera de derrotar a Rússia é um desserviço ao povo ucraniano e um risco catastrófico para todo o planeta. A paz é possível, mas apenas quando as potências imperialistas ocidentais decidirem parar de guerrear por procuração até o último ucraniano.