A OEA nasceu maldita, em meio ao sangrento massacre do povo de Bogotá, que chorava lágrimas de sangue por seu líder nato e mais amado, Jorge Eliecer Gaitán, covardemente assassinado.
Yldefonso Finol
A Organização chegou a ser, na metade do século 20, o triunfo da sabotagem santanderista[1] ao Congresso Anfictiónico do Panamá, proposto pelo Libertador Simón Bolívar, e a consumação da Doutrina Monroe de um continente americano para os Estados Unidos.
A única coisa que a OEA provocou e valeu a pena, foi o som guajiro[2] cantado pelo grande Carlos Puebla[3], que nos convida a sorrir, porque os cipayos[4] foram expulsos de Cuba, um país digno.
Uma reportagem da Prensa Latina resume: “O comportamento relativo a Cuba, desde o triunfo da Revolução, como o apoio à invasão da Praia de Girón, em 1961, ações implementadas pela política e diplomacia da OEA para isolar a ilha que resultaram na expulsão de Cuba da organização, em janeiro de 1962, além do rompimento das relações diplomáticas dos países da região com a Maior das Antilhas, o que significou um tal nível de crueldade, que suscitou dúvida da integridade da organização”.
A atitude corajosa do Chanceler da Dignidade, Ignacio Luis Arcaya[5], merece ser lembrada, quando este se recusou a validar uma declaração isolacionista contra Cuba na VII Conferência de Chanceleres da OEA, em 16 de agosto de 1960, em San José, na Costa Rica. O então presidente Rómulo Betancourt, demitiu o ministro das Relações Exteriores, de forma a evidenciar sua condição de agente dos EUA, uma afronta ao povo bolivariano.
A OEA serviu como um procuradora para a libertinagem imperialista contra a República Dominicana, primeiramente com a derrubada do democrata Juan Bosch e, em seguida, esmagando militarmente a resistência popular, liderada por Francisco Caamaño Deñó, entre outros patriotas. “Em abril de 1965, a marinha dos Estados Unidos desembarcou em Santo Domingo para impedir a iminente vitória do movimento popular constitucional sobre as forças da reação militar. A OEA enviou à capital dominicana, seu Secretário-Geral, o uruguaio José A. Mora, com o aparente propósito de obter uma trégua entre os beligerantes, enquanto o Conselho da OEA tomou a decisão de permitir que as forças militares dos EUA assumissem o controle da situação. Depois de muitos esforços, numa vitória apertada, por apenas um voto, os EUA conseguiram a aprovação de uma resolução que criou a Força Interamericana de Paz, provocando pela primeira vez, sob a égide da OEA, a intervenção coletiva em um país da região”. (www.ecured.cu)
Os governos dos países que formaram a tal força pela paz montada pela OEA se prestaram à tramoia dos EUA, para supostamente resguardar a democracia. O almirante Castelo Branco, recém empossado por Washington, como ditador do Brasil; o ‘muito democrático’ ditador do Paraguai, Alfredo Stroessner; o ditador Julio Rivera, de El Salvador; e Honduras, no formato ianque, de Arellano López. Todos militares moldados pela Escola das Américas como assassinos de seu povo e servos do imperialismo.
Há pouco apresentaram suas desculpas em Santo Domingo: o verdugo levando flores à tumba do mártir. Convidaram Cuba a voltar a fazer parte da OEA, porém a honra verdadeira não se abranda com a lisonja.
II
Uma OEA para Pinochet
Permitam-me compartilhar esta passagem de meu livro, A Falácia Imperialista dos Direitos Humanos, (Editora El Perro e La Rana, MPP[6] para a Cultura, Fundo Alfredo Maneiro, 2006), onde se manifesta – com sarcasmo repugnante – a natureza instrumental da OEA para os interesses imperialistas dos EUA.
“Pela permanência de alguma dúvida sob a cumplicidade protagonista dos Estados Unidos com o golpe militar que derrubou o governo da Unidade Popular no Chile e abriu o período das maiores e mais ultrajantes violações dos direitos humanos naquele país, vamos rever brevemente o conteúdo do memorando sobre a reunião realizada em 08 de junho de 1976 entre o ditador Augusto Pinochet e o secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger.
Estava sendo realizada em Santiago, por iniciativa dos Estados Unidos, a Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos, onde se discutiriam – que ironia! – os direitos humanos. Um alto funcionário estadunidense se apressa a lançar esta pérola… “Nos Estados Unidos, como sabem, vemos com muita simpatia o que vocês estão tentando fazer aqui. Acredito que o governo anterior estava caminhando rumo ao comunismo. Desejamos tudo do melhor ao seu novo governo. ”
No parágrafo seguinte é revelada a forma usada pelos Estados perversos para camuflar seus crimes e como o cinismo faz parte da prática mafiosa para legitimar suas ações. “Esta tarde, vou falar sobre os direitos humanos na Assembleia Geral da OEA. Adiei o meu discurso até que eu pudesse falar-lhes. Gostaríamos de lidar com a questão em termos de persuasão moral e não em termos de sanções legais … na minha intervenção vou abordar a questão dos direitos humanos em termos gerais e no contexto mundial. Vou me referir, em dois parágrafos, ao informe sobre o Chile da Comissão de Direitos Humanos da OEA. Posso dizer que a questão dos direitos humanos tornou tensas as relações entre os EUA e o Chile, em parte, como um resultado das ações do Congresso. Acrescento que espero que vocês possam remover estes obstáculos em breve. Destacaremos também o relatório sobre Cuba e a hipocrisia de alguns que tratam da questão dos direitos humanos para intervir nos governos … Gostaria de deixar claro que o meu discurso não é contra o Chile. Minha avaliação é que o país é vítima de grupos de esquerda em todo o mundo e que o seu maior pecado foi derrubar um governo que estava indo em direção ao comunismo … Quero que sigam em frente e manteremos toda a possibilidade de ajuda. Se derrotarmos a emenda Kennedy, vamos trazer-lhe os F5 que prometemos. Vamos esperar um pouco para abordar outras questões de forma a evitar dar munição adicional aos nossos inimigos.”
O ditador Pinochet respondeu, dizendo que o retorno à institucionalidade caminhava “passo a passo” e lembrou que “resolvemos o problema das grandes corporações transnacionais. Renegociamos as privatizações e demonstramos a nossa boa-fé, fazendo pagamentos oportunos da nossa dívida.” Ao mesmo tempo, no mesmo tom familiar, reclamou que o Congresso dos Estados Unidos dava ouvidos aos seus adversários atuais. “Letelier tem acesso ao Congresso. Sabemos que estão dando informações falsas.” Três meses mais tarde, o chanceler de Allende, Orlando Letelier, foi morto por agentes especiais da ditadura e da CIA, em Washington.
O secretário da OEA encerrou a reunião com eloquentes louvores ao ditador Pinochet .. “Recebemos muito bem a derrubada do governo pró-comunista aqui … Seu governo prestou um grande serviço ao Ocidente depondo Allende, caso contrário o Chile teria seguido Cuba e, então, não haveria mais direitos humanos …”.
A reunião magna serviu também para que o sionista, Nobel da Paz, desse luz verde à “Operação Condor”.
III
Em 13 de abril de 1982, a OEA aprovou, por consenso, uma resolução proposta pela Colômbia, pela qual a organização interamericana oferecia sua “cooperação amigável aos esforços de paz que estão sendo realizados, com o anseio de contribuir para uma resolução pacífica do conflito e que afaste definitivamente o risco de guerra”.
Tratava-se de um ‘carnaval’ diplomático, em que as máscaras cairiam, na medida em que o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, concebido pelos EUA, contando com ajuda da Colômbia para a sua concretização, se firmasse, com a impertinência e o cinismo de uma neutralidade forçada, em um momento em que não poderia haver meias palavras, e que exigia uma única, forte e unânime reação, a rejeição do continente à pretensão absurda do Reino Unido de manter espaços coloniais dentro dos limites da Nossa América.
Mas os ianques não hesitaram em mostrar sua verdadeira face imperialista. O jornal El País, da Espanha, anunciava em seu editorial de 01 de maio de 1982: “A ostensiva tomada de posição dos EUA no conflito do Atlântico Sul, em favor da tese britânica, prometendo apoio logístico a Londres, em caso de guerra, e decretando um boicote generalizado à Argentina, o que se constituiu na internacionalização radical da questão, e a coloca em uma perspectiva preocupante”.
A OEA foi incapaz de manter uma posição coerente com seus próprios instrumentos aprovados. Já são conhecidas as atitudes díspares tomadas pelos governos da região, em especial aqueles que, como a Colômbia, num simulacro de supostas legalidades de sua tradição (como os usados por Santander para sabotar os planos de Bolívar), terminaram apoiando o agressor colonialista.
Em 01/12/2011, Rafael Correa disse muito claramente: “A OEA devia ter desaparecido durante a Guerra das Malvinas”. O presidente do Equador considerou que a OEA deveria ter sido desarticulada em 1982, durante a guerra pelas Ilhas Malvinas, “porque o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR) fora violado, quando os Estados Unidos não apoiaram um país membro, mas um outro fora da região”.
Na minha aldeia há um ditado popular que diz: “Os burros com a mesma pelagem, sempre andam juntos.”
IV
A invasão da pequena ilha de Granada, em 25 de outubro de 1983, voltou a colocar a OEA em evidência pela sua inutilidade aos povos que diz representar e aos princípios que afirma defender. Embora 15 dos 28 países que estavam envolvidos expressassem seu desacordo com a ação militar unilateral dos EUA, nem sequer foi lançada uma resolução ou condenação simbólica, formal, por parte da Organização. Esta mesma atitude foi mantida no caso da Guatemala, em 1954. A mesma fraqueza se viu no caso da invasão do Panamá, em dezembro de 1989, que resultou em tímidas moções e quase uma justificativa.
A OEA tem sido ineficaz em assuntos relevantes como a descolonização de da região, particularmente com Porto Rico, tema intocável para os gringos e seus comparsas. A organização tem se mostrado inútil aos povos originários oprimidos e desterrados em seus próprios territórios; e também para os povos afrodescendentes, que são ainda segregados nos EUA, para a população de migrantes, vítimas dos deslocamentos e que tem a necessidade de proteção internacional, sejam os refugiados, os expulsos de seus lugares de origem, ou apátridas, que hoje vivem atemorizados por conta do discurso xenófobo que se prega com ódio, desde as alturas do poder imperial.
Essa é a OEA, que não fala sobre os milhares de prisioneiros políticos nos Estados Unidos, todos criminalizados pelo sistema racista de classe, vigente naquele país, como os ícones, Leonard Peltier, militante indígena de ascendência anishinaabe Lakota, preso desde 1976; ou Mumia Abu-Jamal, um jornalista comprometido com a luta pelos direitos civis, condenado à prisão perpétua.
A OEA, cuja sede fica em Washington, capital do Estado que não faz parte da Convenção Interamericana de Direitos Humanos. OS EUA, portanto, não estão sujeitos à jurisdição da Corte Interamericana de Direitos Humanos, nem à Comissão quando atuam, sob as funções de órgão da Convenção Americana sobre Direitos Humanos.
É o cúmulo do complexo de superioridade de que padece a “praga universal” e os alcoviteiros dos viciados na sua dominação.
V
OEA no molho “Micheletti”
Nós, os latino americanos, devemos reconhecer que muitas coisas em nossas vidas foram modeladas pelos Estados Unidos, não “à sua imagem e semelhança”, mas ao seu capricho.
Os EUA não promovem, nem estão dispostos a compartilhar, o conforto de seu modelos de “abundâncias”, justamente porque os seus privilégios estão apoiados sobre as carências das grandes maiorias dos povos do continente americano. Essa é a lógica que a OEA deve reproduzir.
Ter visto o mais antigo diplomata do clube usurpar a presidência, legitimamente exercida Bolívia – e dirigir um debate cheio de írritos com uma decisão inaplicável, foi realmente irritante; e não pude deixar de relacionar o fato com o golpe de Estado em Honduras, contra o presidente Zelaya.
Tanto o assassinato seletivo de dezenas de líderes comunitários, incluindo a indígena lenca[7] Berta Cáceres, quanto a nomeação desta múmia na OEA, são um resultado direto de laboratório geopolítico ianque, gerenciado pelo Pentágono e o Departamento de Estado, a NSA[8], a CIA entre outras agências e milhares de ONGs financiadas pela “diplomacia do dólar”.
A partir dessa Honduras, nos moldes ianques, o secretário de Estado, John Foster Dulles e seu irmão, o diretor da CIA, Allen Dulles, sócios de uma firma de advocacia ligada à United Fruit Company[9], planejaram e executaram o golpe de Estado, em 1954, contra Jacobo Arbenz, então presidente progressista da Guatemala; foi também a partir de Honduras que se forjou parte da invasão à Baía dos Porcos, em Cuba; em solo hondurenho, Ronald Reagan, munido do dinheiro do tráfico de drogas, armou os “contra” antissandinistas, que tanta dor causaram ao povo da Nicarágua.
Por isso Zelaya tinha de ser removido do poder em um país que, para os Estados Unidos, é apenas uma das suas bases militares mais ativas. Por certo, muito bem azeitada ultimamente, tendo como foco a Venezuela bolivariana.
Sem a existência dos servis o império cai. Tipos como Almagro e assustados mandatários como Peña Nieto, Macri, Santos, Cartes e Kuczynski, todos com uma enorme cauda de palha, são essenciais para os Estados Unidos cumprirem sua meta hegemônica no parapeito mafioso que é a OEA. E por essa cauda de palha, os ianques os têm presos nas mãos e, para cada qual, há um expediente a cumprir, traçado pelos EUA.
VI
O povo bolivariano da Venezuela apoia a decisão soberana de nosso governo de retirarmo-nos da OEA, ainda que concordemos com aqueles que pensam que se trata de uma medida tardia e que deve ser muito bem explicada em sua justa dimensão, sem superestimar as consequências, nem subestimar a reação dos atores nacionais e internacionais presentes na conspiração.
É preciso autocrítica para reconhecer os erros cometido em alianças ingênuas, como essa onde construímos o caminho para o delinquente Almagro; similar é aquele pacto legislativo que, em 1998, deu a presidência da Câmara dos Deputados a Cabra Capriles, com os votos do Movimento Quinta República. Essa é uma criação de corvos. São pactos que matam.
A OEA é para os Estados Unidos, o curral de seu quintal, ali jogam milhos às galinhas e até promovem a rinha de galos. O “sistema interamericano” está montado para o “destino manifesto”, não estamos descobrindo nada de novo.
Em um cenário de ofensiva de direita, incluindo os governos temerosos e pragmático, de uma coisa impossível chamada de centro-esquerda, todos os organismos multilaterais serão terreno movediço para as posições anti-imperialistas. Para isso, devemos estar preparados com duas armas que, talvez, até o momento não tenhamos utilizado com o suficiente acerto, a desconfiança e a concentração.
É preciso aprender a dizer não ao tempo, condicionar os votos a favor e não desperdiçar energia em jogos amistosos.
Vamos concluir com Martí, que nosso Bolívar tem muito trabalho pela frente. Vamos buscar o apoio dos povos, não percamos tempo com a diplomacia mercenária.
Notas
[1] Santanderismo: Ideologia política baseada no general Francisco de Paula Santander, em oposição ao Bolivarianismo. (N.T.)
[2] Guajiro: Som de chamamento aos camponeses cubanos para lutarem contra o império espanhol. (N.T.)
[3] Músico, cantor e compositor cubano, conhecido como o menestrel da Revolução Cubana. (N.T.)
[4] Cipayo: Antigo soldado indígena a serviço do império europeu. (N.T.)
[5] Ministro das Relações Exteriores da Venezuela, 1959 – 1960. (N.T.)
[6] Ministério do Poder Popular, governo bolivariano da Venezuela. (N.T.)
[7] Os lencas constituem um grupo étnico da América Central que ocupou parte de Honduras e El Salvador durante o período pré-colombiano. (N.T.)
[8] Agência Nacional de Segurança nos EUA (em inglês National Secutiry Agency) (N.T.)
[9] Durante grande parte do século 20, a United Fruit Company foi uma das mais poderosas empresas multinacionais dos EUA. Atuando na produção e exportação de bananas, a companhia conquistou uma posição de monopólio e expandiu-se pela América Latina. (N.T.)
Fonte: AVN, Tradução de Maria Helena D’Eugenio para o Resistência
[:es]
La OEA nació maldita en medio de la masacre del pueblo bogotano (Bogotazo) que lloraba sangre por el cobarde asesinato de su líder natural y más amado: Jorge Eliecer Gaitán.
Por Yldefonso Finol
La OEA vino a ser, a mitad del siglo XX, el triunfo del sabotaje santanderista al Congreso Anfictiónico de Panamá propuesto por El Libertador Simón Bolívar, y la consumación de la Doctrina Monroe de un continente americano para los Estados Unidos.
La única cosa provocada por la OEA que ha valido la pena, fue aquel son guajiro que le cantó el gran Carlos Puebla, para invitarnos a reír, porque el club de cipayos expulsó a su digno país, Cuba.
Un reportaje de Prensa Latina lo resume así: “La actuación respecto a Cuba a partir del triunfo de la Revolución, el apoyo a la invasión de Playa Girón en 1961, las acciones que desplegó en el orden político-diplomático para aislarnos, que concluyeron con la expulsión de Cuba en enero de 1962 y la ruptura de relaciones diplomáticas de los países de la región con la Mayor de las Antillas, significaron un nivel de ensañamiento tal, que puso más en entredicho a la organización”.
Merece ser recordada la actitud valiente del Canciller de la Dignidad Ignacio Luis Arcaya, quien se negó a convalidar una declaración aislacionista contra Cuba en la VII Conferencia de Cancilleres de la OEA, el 16 de agosto de 1960 en San José de Costa Rica. El presidente Rómulo Betancourt, destituyó al Ministro de Exteriores, para quedar en evidencia de su condición de agente de Estados Unidos, para mayor afrenta al pueblo bolivariano.
La OEA sirvió de proxeneta para el desenfreno imperialista contra la República Dominicana, primero con el derrocamiento del demócrata Juan Bosch y luego aplastando militarmente la resistencia popular que encabezó, entre otros patriotas, Francisco Caamaño Deñó. “En abril de 1965 desembarcaron los marines yanquis en Santo Domingo para impedir la inminente victoria del movimiento popular constitucionalista sobre las fuerzas de la reacción militarista. La OEA envió a la capital dominicana a su Secretario General, el uruguayo José A. Mora, con el aparente propósito de obtener una tregua entre los beligerantes, mientras el Órgano de Consulta dilataba una decisión para facilitar que las fuerzas militares yanquis tomaran el control de la situación. Luego de múltiples gestiones, Estados Unidos logró por el estrecho margen de un voto la aprobación de una resolución que dispuso la creación de una Fuerza Interamericana de Paz, produciéndose, por primera vez bajo el sello de la OEA, una intervención colectiva en un país del área”. (www.ecured.cu)
Y cuáles gobiernos se prestaron a la tramoya gringa montada en la OEA de y que una “fuerza interamericana de paz” que acudiría a resguardar la democracia dominicana: el del dictador recién instalado por Washington en Brasil, almirante Castello Branco; el muy demócrata dictador de Paraguay, Alfredo Stroessner; el dictador Julio Rivera de El Salvador; y la Honduras (hechura gringa) de López Arellano. Todos militares moldeados por la Escuela de las Américas como asesinos de sus pueblos y sirvientes del imperialismo.
Hace poco ofrecieron disculpas en santo Domingo: el verdugo llevando flores a la tumba del mártir. A Cuba la invitaron a volver, pero el honor verdadero no se ablanda con la lisonja.
II
Una OEA para Pinochet
Permítanme compartirles este pasaje de mi libro La Falacia Imperialista de los Derechos Humanos (Editorial El Perro y La Rana, MPP para la Cultura, Fondo Alfredo Maneiro, 2006), donde se pone de manifiesto –con sarcasmo repugnante- el carácter instrumental de la OEA para los intereses imperialistas estadounidenses.
“Por si quedase alguna duda suelta sobre la complicidad protagónica de los Estados Unidos con el golpe militar que derrocó al Gobierno de la Unidad Popular en Chile y abrió el período de mayores y más indignantes violaciones a los derechos humanos en ese país, pasaremos a revisar brevemente el contenido del memorando sobre la reunión sostenida el 8 de junio de 1976 entre el dictador Augusto Pinochet y el Secretario de Estado de los Estados Unidos, Henry Kissinger.
Se realizaba en Santiago, por iniciativa de los propios Estados Unidos, la Asamblea General de la Organización de Estados Americanos, donde se hablaría -¡qué ironía!- de derechos humanos. El alto funcionario norteamericano se apresura a lanzar esta perla: “En los Estados Unidos, como Usted sabe, tenemos simpatía por lo que Usted está tratando de hacer aquí. Yo pienso que el gobierno anterior iba en la dirección del comunismo. Nosotros le deseamos lo mejor a su gobierno”.
En el párrafo siguiente se revela cómo los Estados delincuentes llegan a camuflar sus crímenes y cómo el cinismo se hace práctica mafiosa legitimadora de sus acciones. “Esta tarde yo voy a hablar sobre derechos humanos en la Asamblea General. Yo postergué mi discurso hasta que pudiera hablar con Usted. Nosotros queremos manejar el asunto en términos de persuasión moral y no en términos de sanciones legales… En mi discurso voy a tratar el asunto de derechos humanos en términos generales y los derechos humanos en el contexto mundial. Me voy a referir en dos párrafos al informe sobre Chile de la Comisión de derechos humanos de la OEA. Yo voy a decir que el tema de los derechos humanos ha afectado las relaciones entre Estados Unidos y Chile. Esto es en parte el resultado de las acciones del Congreso. Voy a agregar que espero que Usted elimine estos obstáculos pronto. También voy a destacar el informe sobre Cuba y la hipocresía de algunos que manejan el tema de los derechos humanos para intervenir en los gobiernos… El discurso no es contra Chile. Yo le quería decir esto. Mi evaluación es que Usted es una víctima de los grupos izquierdistas alrededor del mundo y que su mayor pecado fue derrocar a un gobierno que iba en dirección al comunismo… yo quiero que Usted salga adelante y quiero mantener la posibilidad de ayuda. Si derrotamos la Enmienda Kennedy, nosotros vamos a hacerle llegar los F5 que hemos acordado. Vamos a esperar un poco en otros temas para evitar darle munición adicional a nuestros enemigos”.
El dictador Pinochet le responde que el retorno a la institucionalidad se lleva “paso a paso” y le recuerda que “nosotros resolvimos el problema de las grandes empresas transnacionales. Nosotros renegociamos las expropiaciones y demostramos nuestra buena fe haciendo pagos oportunos sobre nuestra deuda”. A la vez, en el mismo tono familiar, reclama el hecho de que algunos de sus actuales opositores sean escuchados por parlamentarios en el Congreso de los Estados Unidos. “Letelier tiene acceso al Congreso. Nosotros sabemos que están dando información falsa”. Tres meses después, el Canciller de Allende, Orlando Letelier, era asesinado por agentes especiales de la dictadura y la CIA en Washington.
El Secretario despide la reunión con elocuentes elogios al dictador: “Nosotros recibimos muy bien el derrocamiento del gobierno procomunista aquí… Ustedes le prestaron un gran servicio al Occidente al derrocar a Allende. De otra manera Chile habría seguido a Cuba. Entonces no habría habido derechos humanos…”.
La magna ocasión también sirvió para que el sionista Nobel de la Paz le diera luz verde a la “Operación Cóndor”.
III
El 13 de abril de 1982 la OEA aprobó, por consenso, una resolución propuesta por Colombia, donde el organismo interamericano ofrecía su “cooperación amistosa a los esfuerzos de paz que se están llevando a cabo, con el anhelo de contribuir a una solución pacífica del conflicto, que aleje definitivamente el peligro de una guerra”.
Se trataba de un juego diplomático carnavalesco, en el que las máscaras irían cayendo en la medida que el Tratado Interamericano de Asistencia Recíproca, concebido por USA con Colombia de “celestina”, quedara hecho añicos, ante la impertinencia y el cinismo de una forzada neutralidad, en un suceso que no soportaba medias tintas, y que exigía como única reacción, el rechazo viril y unánime del continente a la pretensión absurda del Reino Unido de mantener espacios coloniales en los confines de Nuestra América.
Pero los yanquis no vacilaron en mostrar su verdadero rostro imperialista. Así lo anunciaba en su Editorial del 1 de mayo de 1982 El País de España: “La aparatosa toma de posición norteamericana en el conflicto del Atlántico Sur a favor de las tesis británicas, prometiendo apoyo logístico a Londres en caso de guerra y decretando un boicot generalizado a Argentina, constituye la radical internacionalización del tema, y lo sitúa en una perspectiva preocupante”.
La OEA fue incapaz de mantener una posición coherente con sus propios instrumentos aprobados. Ya se sabe las dispares actitudes tomadas por los gobiernos de la región, en especial de aquellos que, como Colombia, en un remedo de los supuestos legalismos de su tradición (como los usados por Santander para sabotearle los planes a Bolívar), terminó apoyando al agresor colonialista.
Muy claro lo dijo el 01/12/2011 Rafael Correa: “La OEA debió desaparecer durante la Guerra de Malvinas”. El presidente de Ecuador consideró que la OEA debió desarticularse en 1982 durante la guerra por las Islas Malvinas, “porque se violó el Tratado Interamericano de Asistencia Recíproca (TIAR) cuando los Estados Unidos no apoyó a un país miembro, sino a uno extra regional”.
En mi pueblo se usa el refrán: “burros del mismo pelo siempre se juntan”.
IV
La invasión a la pequeña isla de Granada el 25 de octubre de 1983, volvió a poner a la OEA en evidencia de su inutilidad a los pueblos que dice representar y principios que dice defender. A pesar de que 15 de los 28 países que la integraban manifestaron su desacuerdo con la acción militar unilateral de Estados Unidos, ni siquiera se produjo una resolución o condena simbólica de manera formal por parte de la Organización. Esta misma actitud la mantuvo en el caso de Guatemala en 1954. Blandenguerías que en el caso de la invasión a Panamá en diciembre de 1989, resultaron en tímidos exhortos y cuasi justificaciones.
Ineficaz ha sido la OEA en asuntos tan sentidos como la descolonización de la región, particularmente con Puerto Rico, tema intocable para los gringos y sus adeptos. Inservible ha sido la OEA para los pueblos originarios oprimidos y desterrados en sus propios territorios; inútil para la afrodescendencia que aún es segregada en Estados Unidos, para la población migrante y en necesidad de protección internacional, sean refugiados, desplazados internos o apátridas, que hoy viven atemorizados por el discurso xenófobo que se pregona con odio desde las alturas del poder imperial.
OEA que no habla de los miles de presos políticos en Estados Unidos, todos criminalizados por el sistema racista-clasista que rige en ese país, como el emblemático Leonard Peltier, luchador indígena de ascendencia anishinaabe lakota, encarcelado desde 1976; o de Mumia Abu-Jamal, periodista comprometido con la lucha por los derechos civiles, condenado a cadena perpetua.
OEA que tiene sede en Washington, capital del Estado que no es parte de la Convención Interamericana de Derechos Humanos. Estados Unidos, por tanto, no está sujeto a la jurisdicción de la Corte Interamericana de Derechos Humanos ni tampoco a la Comisión cuando ésta actúa bajo sus funciones de órgano de la Convención Americana sobre Derechos Humanos.
Es el colmo del complejo de superioridad que padece la “plaga universal” y la alcahuetería de los adictos a su dominación.
V
OEA en salsa “Micheletti”
Los latinoamericanos debemos reconocer que muchas cosas en nuestras vidas las ha moldeado Estados Unidos no “a su imagen y semejanza”, sino a su antojo.
USA no promueve ni está dispuesta a compartir el “confort” de su modelo de “abundancias”, porque precisamente sus privilegios se soportan en las carencias de las mayorías del continente. Esa es la lógica que debe reproducir la OEA.
Haber visto al diplomático más anciano del club usurpar la presidencia -que ejerce por derecho Bolivia- y dirigir un debate plagado de írritos, con una decisión inaplicable, fue realmente irritante; y no pude evitar relacionar el hecho con el Golpe de Estado en Honduras contra el Presidente Zelaya.
Tanto el asesinato selectivo de decenas de líderes sociales, entre ellos la indígena lenca Berta Cáceres, como el nombramiento de este momio en la OEA, son consecuencia directa del laboratorio geopolítico gringo que regentan el Pentágono y el Departamento de Estado junto a la NSA, la CIA y otras agencias y miles de ONGs financiadas por la “diplomacia del dólar”.
Desde esa Honduras hechura gringa, donde el Secretario de Estado, John Foster Dulles y su hermano, el director de la CIA, Allen Dulles, socios de una firma de abogados ligados a la United Fruit Company, planificaron y ejecutaron el golpe contra Jacobo Arbenz en 1954; donde se fraguó parte de la derrotada invasión a Cuba por Bahía de Cochinos; donde Ronald Reagan armó con dinero proveniente del narcotráfico la “Contra” antisandinista que tanto dolor le causó al pueblo nicaragüense.
Por eso Mel Zelaya debía ser apartado del poder en un país que para Estados Unidos es sólo una de sus bases militares más activas. Por cierto, muy aceitada recientemente con la mira en la Venezuela bolivariana.
Sin la existencia de serviles el imperio se cae. Figurines como Almagro, y los asustadizos mandaderos Peña Nieto, Macri, Santos, Cartes y Kuczynski, todos con un inmenso rabo de paja, le son imprescindibles a EEUU para mantener su hegemonía en ese parapeto mafioso que es la OEA. Y por ese rabo los yanquis los tienen cogidos, porque a cada uno le han armado su expediente.
VI
El pueblo bolivariano de Venezuela apoya la decisión soberana de nuestro gobierno de retirarnos de la OEA, aunque coincidimos con quienes piensan que la medida es tardía y que debe ser muy bien explicada en su justa dimensión, sin sobreestimar sus consecuencias ni subestimar la reacción de los actores nacionales e internacionales que están en la conspiración.
Autocríticamente reconocer los errores que se han cometido en alianzas ingenuas como esa donde le hicimos el piso al delincuente de Almagro, similar a aquél pacto legislativo que en 1998 le dio la presidencia de la Cámara de Diputados a la Cabra Capriles, con los votos del Movimiento Quinta República. Cría de cuervos. Pactos que matan.
La OEA es para Estados Unidos, el corral de su patio trasero, allí le echa maicitos a las gallinas y hasta pone a pelearse entre sí a los gallos. El “sistema interamericano” está montado para el “destino manifiesto”, no estamos descubriendo el guarapo de panela.
En un escenario de ofensiva derechista, incluidos los gobiernos timoratos y pragmáticos de una cosa imposible llamada centroizquierda, todos los organismos multilaterales serán terreno movedizo para las posiciones antiimperialistas. Para ello debemos estar preparados con dos armas que hasta el momento -tal vez- no hayamos utilizado con suficiente acierto: la desconfianza y la concentración.
Saber decir que no a tiempo, condicionar los síes y no dispersar las energías en juegos amistosos.
Concluyamos con Martí, que nuestro Bolívar tiene mucho trabajo por delante. Vayamos a los pueblos a buscarle apoyos, no perdamos tiempo con la diplomacia mercenaria.
