GEOPOLÍTICA E RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Díaz-Canel exalta solidariedade internacional em caravana a Cuba

Compartilhe

Presidente cubano destaca apoio global contra bloqueio e reforça papel da cooperação internacional em encontro com delegações de 33 países

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, recebeu na sexta-feira (20), em Havana, representantes da Caravana Nossa América, em um encontro que reuniu centenas de participantes de diversos países. Durante a reunião, o chefe de Estado destacou o significado político e humano da presença internacional na ilha, classificando-a como uma demonstração de compromisso com o povo cubano e com causas globais.

As informações foram divulgadas pelo jornal Granma, que acompanhou o encontro realizado no Centro de Convenções da capital. Segundo o veículo, a iniciativa reuniu cerca de 650 pessoas de 33 países, representando mais de 140 organizações sociais, culturais e políticas.

Defesa do multilateralismo

Ao discursar, Díaz-Canel ressaltou que a solidariedade expressa pelos participantes vai além das fronteiras nacionais. “Isso é muito encorajador”, afirmou, acrescentando que “o que estamos defendendo não é apenas Cuba, mas também as lutas justas dos povos do mundo”.

O presidente cubano alertou para um cenário internacional marcado por conflitos e imposições políticas, no qual vozes dissidentes são frequentemente silenciadas. Ele também denunciou a naturalização da violência na mídia global e reforçou a necessidade de uma resposta baseada na solidariedade ativa.

Bloqueio econômico e críticas aos Estados Unidos

Díaz-Canel voltou a criticar o bloqueio econômico imposto a Cuba e respondeu a argumentos que minimizam seus efeitos. “Pergunte a uma mulher ou a um homem cubano se o bloqueio não existe”, declarou, ao abordar o impacto cotidiano das restrições.

O presidente afirmou que as limitações econômicas afetam diretamente o acesso a bens essenciais: “coisas que poderíamos ter em uma situação melhor sempre entram em conflito com as limitações que nos são impostas pelo bloqueio”.

Ele também questionou críticas ao socialismo cubano: “E quanto às enormes conquistas sociais da Revolução, que foram sustentadas por uma economia operando em condições de guerra e sujeita a um bloqueio tão criminoso?”

Cuba como referência internacional

Durante o encontro, o líder cubano contestou a classificação do país como ameaça à segurança dos Estados Unidos. “Os cubanos não atacaram ninguém. O que os cubanos enviam ao mundo são médicos, professores com um método de alfabetização cubano, o programa ‘Sim, eu posso’”, afirmou.

Ele destacou ainda a atuação internacional de profissionais cubanos, especialmente durante crises sanitárias como a pandemia de covid-19. “É uma ameaça para o mundo, para um país, que outro país envie médicos, que outro envie professores?”, questionou.

Vozes internacionais em defesa de Cuba

Representantes de diferentes países também manifestaram apoio à ilha. Michele Curto, da Agência Italiana para o Intercâmbio Econômico e Cultural com Cuba, declarou: “Este é o internacionalismo de que falamos. Sem internacionalismo, não há esquerda. Sem internacionalismo, não existimos, e Cuba nos lembra disso há mais de 60 anos”.

A secretária executiva do Foro de São Paulo, Mônica Valente, afirmou que o Brasil tem intensificado ações de solidariedade. “Mas, acima de tudo, estamos em uma grande campanha com muitas organizações […] além da campanha de arrecadação de fundos para painéis fotovoltaicos e sistemas de irrigação movidos a energia solar”.

Já Ada Galano, representante de cubanos residentes na Itália, destacou o vínculo com o país: “nossas almas e nossas mentes estão com nosso povo, vivenciando cada medicamento que falta em um hospital”.

Denúncia do bloqueio e defesa da soberania

O senador chileno Daniel Núñez classificou o bloqueio como uma medida de punição coletiva: “O que está sendo feito aqui é uma punição coletiva do povo cubano. Não se trata de um ataque a um governo […] é todo o povo cubano que está sendo punido”.

A ativista Claudia de la Cruz também reforçou a solidariedade internacional: “Viemos aqui para reafirmar que Cuba não está sozinha e nunca estará sozinha”.

Caravana como símbolo de resistência

Ao encerrar o encontro, Díaz-Canel descreveu a iniciativa como uma “caravana de dignidade” e destacou o papel dos participantes na construção de alianças globais. “Vocês se elevaram acima desse mundo de mentiras, distorções e intrigas”, afirmou.

Segundo ele, a mobilização internacional demonstra que Cuba não está isolada. “Ela desfaz a falácia de que Cuba está sozinha e isolada, quando a realidade é exatamente o oposto”.

O evento reuniu lideranças políticas, parlamentares, ativistas e representantes de movimentos sociais, reforçando a articulação internacional em torno da defesa da soberania cubana e da crítica às sanções econômicas impostas ao país.

Rolar para cima