GEOPOLÍTICA E RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Unidade e Resistência: a verdadeira homenagem aos mártires iranianos contra o imperialismo

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No 6º ano do assassinato de Qassem Soleimani e Abu Mahdi al-Muhandis, a comunidade iraniana em São Paulo organizou no dia 10 de janeiro um ato em sua homenagem. Presente como um dos convidados de honra, o Cebrapaz expressou sentimentos de respeito e compromisso histórico. José Reinaldo Carvalho (*) pronunciou um discurso em nome da entidade. Leia a íntegra. 

Dirijo-me às senhoras e aos senhores, em nome do Cebrapaz  (Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz) movido por um sentimento profundo de respeito e compromisso histórico. Ao evocar a memória do general Qassem Soleimani e Abu Mahdi al-Muhandis, assassinados por ordem de Donald Trump, então exercendo seu primeiro mandato na Casa Branca, em 3 de janeiro de 2020, reafirmamos valores universais, violados apenas por potências imperialistas: a soberania dos povos, a autodeterminação das nações e a luta permanente pela paz mundial baseada na justiça e no direito internacional. Expressamos também profunda indignação pelo crime cometido contra esses mártires.

Os dois mártires iranianos foram figuras marcantes de seu tempo. Sua trajetória não pode ser compreendida apenas pelo prisma militar nem estritamente político. Foram, acima de tudo, dirigentes e símbolos da Resistência. Dedicaram suas vidas à defesa da independência do Irã e à solidariedade ativa com os povos irmãos do Oriente Médio, submetidos durante décadas a guerras, bloqueios, sanções e intervenções externas. Sua missão foi a de conter a violência, enfrentar o terrorismo e impedir que a região fosse ainda mais destruída por interesses estrangeiros.

Foi justamente por cumprir esse papel histórico que se tornaram alvos do imperialismo. O assassinato perpetrado por ordem de Trump foi uma violação brutal da soberania do IIrã e do Iraque, onde o crime voi cometido, e do próprio Direito Internacional. Foi um ato de terrorismo de Estado, praticado com arrogância e desprezo pelas normas que regem a convivência entre as nações.

Esse assassinato não foi um episódio isolado. Ele se insere em uma longa cadeia de agressões que incluem guerras, ocupações militares, sanções econômicas e o estímulo a grupos mercenários e terroristas, responsáveis por imenso sofrimento humano. Ao eliminar Soleimani e Abu Mahdi al-Muhandis, os Estados Unidos buscaram intimidar os povos da região e impor, pela força, uma ordem baseada na dominação e no medo. O efeito foi o oposto: seu martírio fortaleceu a consciência de resistência e aprofundou a solidariedade entre os povos do Oriente Médio.

Estes mártires iranianos tornaram-se um símbolo porque encarnaram a ideia de que a luta pela libertação nacional não conhece fronteiras estreitas. Eles são respeitados por iranianos, libaneses, iraquianos, sírios, palestinos, iemenitas exatamente porque compreenderam que a paz verdadeira só pode existir quando os povos são livres de ingerências externas e de ocupações militares. Sua entrega final não foi um gesto individual, mas um compromisso histórico com essa causa.

Ao manter viva sua memória, afirmamos que a paz não se constrói com drones, mísseis, bases militares e assassinatos seletivos. A paz exige respeito à soberania, cooperação entre as nações e solidariedade entre os povos. Qassem Soleimani e Abu Mahdi al-Muhandis caíram vítimas de um crime, mas sua causa permanece viva. E enquanto houver luta contra a dominação, contra o imperialismo, o sionismo e contra a injustiça, seus nomes seguirão sendo lembrados como os de combatentes pela dignidade dos povos e pela paz mundial.

Hoje vivemos uma conjuntura internacional trágica e ainda mais ameaçadora. Em junho do ano passado, os sionistas israelenses e o imperialismo estadunidense atacaram o Irã. Foram fragorosamente derrotados, mas as ameaças de novas agressões persistem. Nos últimos dias, promovem a subversão interna, com a ilusão de que vencerão a guerra híbrida contra o país persa. Enganam-se redondamente. O povo iraniano está mobilizado sob o chamamento de sua liderança. Em eventos convocados para defender a paz, a estabilidade e a soberania do país, está presente a memória e a inspiração dos mártires. A vitória será a mais digna homenagem ao seu heroísmo. No mais recente discurso do Líder Ali Khamenei, ele disse: “Preservemos a unidade”, um lúcido e vibrante apelo, uma orientação segura para percorrer o caminho da vitória contra os inimigos dos povos. 

Na irmã Venezuela os imperialistas estadunidenses perpetraram um ato criminoso, atacando militarmente o país e sequestrando o presidente legítimo e constitucional  Nicolás Maduro e a primeira-dama, a companheira Cília Flores. 

Diante desse cenário, impõe-se um chamado amplo e urgente à consciência coletiva da humanidade: que mulheres e homens de todos os credos religiosos, filosofias, ideologias e correntes políticas saibam colocar acima de quaisquer diferenças o compromisso comum com a defesa incondicional da soberania nacional de todos os povos. A história demonstra que somente a unidade, a convergência de ações solidárias e a articulação internacional das forças comprometidas com a justiça podem conter a escalada da dominação, da guerra e da ingerência externa. 

A luta anti-imperialista, longe de ser um projeto sectário, é uma causa universal em defesa do direito dos povos decidirem seus próprios destinos, de viverem sem coerção e de construírem um mundo baseado na paz, na autodeterminação e no respeito mútuo entre as nações.

Honra e glória à memória de Qassem Soleimani e Abu Mahdi al-Muhandis!

Muito obrigado. 

(*) Pesidente do Cebrapaz

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