Chanceler Bruno Rodríguez critica desigualdades globais e políticas dos EUA durante encontro CELAC-África em Bogotá
O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, afirmou neste sábado (21) que o país mantém firme sua defesa da soberania nacional e segue aberto a iniciativas de cooperação entre países do Sul global. A declaração foi feita durante o I Fórum CELAC-África 2026, realizado em Bogotá, na Colômbia, com a participação de lideranças da América Latina, Caribe e continente africano.
De acordo com informações da intervenção oficial do chanceler cubano no encontro, Rodríguez destacou a importância do fórum como espaço estratégico para ampliar a cooperação entre a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e a União Africana, ao mesmo tempo em que denunciou desigualdades estruturais que afetam essas regiões.
Cooperação
Durante sua fala, o ministro ressaltou que América Latina, Caribe e África compartilham um passado marcado pela dominação colonial e por lutas em defesa da dignidade e da liberdade. Segundo ele, os desafios atuais enfrentados por essas regiões têm origem em estruturas históricas de desigualdade.
Rodríguez também afirmou que o encontro representa uma oportunidade para fortalecer uma cooperação “genuína e crescente” entre os blocos regionais. Ele destacou ainda a necessidade de construir uma agenda comum voltada à superação das disparidades econômicas e sociais.
Práticas imperialistas
O chanceler cubano alertou para o retorno de práticas imperialistas no cenário global. Em sua intervenção, criticou a doutrina da “paz através da força”, promovida por Washington, que, segundo ele, representa uma forma de dominação baseada em intervenções militares, ameaças e uso da força.
Rodríguez afirmou que os países do Sul Global têm a responsabilidade de impulsionar um novo modelo de ordem internacional. Esse modelo, segundo ele, deve ser baseado no respeito à soberania dos Estados, no direito internacional, na autodeterminação dos povos e em uma cooperação efetiva entre nações.
Bloqueio a Cuba
O ministro reiterou que Cuba enfrenta há mais de seis décadas um bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos, o mais prolongado da história contemporânea. Ele também criticou a inclusão do país na lista unilateral de Estados que supostamente patrocinam o terrorismo, além de mencionar ameaças de agressão militar e medidas recentes voltadas a restringir o fornecimento de combustível à ilha.
Segundo Rodríguez, essas ações têm como objetivo pressionar o povo cubano a renunciar à sua soberania e independência.
Solidariedade internacional
O chanceler agradeceu a solidariedade demonstrada por países da África, América Latina e Caribe diante das políticas contra Cuba, destacando o apoio manifestado em fóruns internacionais, inclusive durante o próprio encontro em Bogotá.
Ele reafirmou que, apesar das pressões externas, o país continuará comprometido com a cooperação sul-sul. Nesse contexto, destacou a contribuição cubana ao longo de décadas, especialmente na área da saúde, com impacto em diversos países.
Rodríguez concluiu reforçando a disposição de Cuba para manter relações baseadas no respeito mútuo, sem interferência em assuntos internos, e reiterou o compromisso com a solidariedade entre os povos da América Latina, Caribe e África.