Cúpula de Bogotá consolida 35 acordos e destaca compromisso regional com estabilidade, cooperação e multilateralismo
Os países membros da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) aprovaram a Declaração de Bogotá ao final da X Cúpula do bloco, reunindo 35 acordos voltados à integração regional, à segurança e ao desenvolvimento sustentável. O documento enfatiza, como eixo central, a reafirmação da América Latina e do Caribe como uma Zona de Paz, princípio considerado fundamental para a estabilidade política e a cooperação entre os países da região.
De acordo com a agência Prensa Latina, a declaração destaca de forma prioritária a plena vigência da Proclamação da América Latina e do Caribe como Zona de Paz, compromisso assumido anteriormente pelos países da região e reiterado agora com ênfase renovada. O texto reforça a determinação dos Estados-membros em garantir o respeito a esse princípio, baseado na solução pacífica de controvérsias, na não intervenção e na convivência harmoniosa entre as nações.
A reafirmação da região como zona de paz surge em um contexto internacional marcado por tensões geopolíticas e conflitos armados, o que, segundo os países da Celac, torna ainda mais relevante a defesa de mecanismos diplomáticos e do multilateralismo. A declaração sublinha a importância de fortalecer o diálogo político e a cooperação como instrumentos essenciais para evitar escaladas de violência e preservar a estabilidade regional.
Nesse sentido, os países também manifestaram preocupação com o aumento de conflitos no cenário global e reiteraram a necessidade de privilegiar soluções pacíficas, com base no direito internacional e na Carta das Nações Unidas. A posição conjunta reforça o papel da América Latina e do Caribe como uma região que busca se manter afastada de confrontos armados e comprometida com a paz.
Outro ponto destacado no documento é a defesa de maior protagonismo da região no sistema internacional. Os países consideraram oportuno que um representante latino-americano ou caribenho assuma o cargo de Secretário-Geral das Nações Unidas, entendendo que isso pode contribuir para ampliar a capacidade da organização de enfrentar desafios globais e promover justiça, desenvolvimento e equilíbrio nas relações internacionais.
A declaração também expressa apoio e solidariedade ao Haiti, ressaltando a necessidade de soluções pacíficas, inclusivas e sustentáveis para a crise enfrentada pelo país. Os membros da Celac reafirmaram seu respaldo a iniciativas que busquem a estabilização política, econômica e social haitiana, em consonância com os princípios de respeito à soberania e cooperação internacional.
No campo econômico e político, o documento reafirma a oposição ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto a Cuba, alinhando-se à Resolução A/RES/80/4 da Assembleia Geral da ONU. Os países também criticaram medidas com efeitos extraterritoriais e opinaram que a inclusão de Cuba na lista de Estados patrocinadores do terrorismo representa um obstáculo às operações financeiras internacionais da ilha.
A cooperação regional também foi apontada como elemento-chave para enfrentar desafios comuns, como o crime organizado transnacional. Os países destacaram a necessidade de aprofundar ações conjuntas no combate à corrupção, ao tráfico de drogas e ao comércio ilegal de armas, munições e explosivos.
Além disso, a declaração aborda a urgência de coordenar esforços para mitigar os efeitos das mudanças climáticas, destacando a importância de instrumentos financeiros flexíveis que possam apoiar os países da região em suas estratégias de adaptação e desenvolvimento sustentável.
Ao final, os membros da Celac reiteraram o compromisso com a ação coletiva e a cooperação internacional como pilares para impulsionar o crescimento econômico e a integração regional. A X Cúpula, realizada no Centro de Convenções Ágora, em Bogotá, também marcou a transferência da presidência pro tempore do bloco da Colômbia para o Uruguai, sinalizando continuidade nos esforços de articulação política entre os países latino-americanos e caribenhos.